Ecologia é...

· ETMOLOGIA DA PALAVRA - ECOLOGIA
O Termo foi proposto em 1866 pelo biólogo HAECKEL, e deriva de duas palavras gregas: oikos,que quer dizer "morada", e logos, que significa"estudo". A Ecologia começa como um novo ramo das Ciências Naturais e seu estudo passa a sugerir novos campos do conhecimento, como, por exemplo, a ecologia humana e a economia ecológica. Mas só na década de 1970 o termo "ecologia" passa a ser conhecido do grande público.

· O QUE É ECOSSISTEMA?
Entende-se por ecossistema o "Conjuntos de interações desenvolvidas pelos componentes vivos (animais, vegetais, fungos, protozoários e bactérias) e não-vivos (água, gazes atmosféricos, sais minerais e radiação solar) de um determinado ambiente".(Fonte Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, 1992).


· INTENSIFICAÇÃO DO MOVIMENTO AMBIENTAL

Após a Segunda Guerra Mundial, principalmente a partir da década de 60, intensificou-se a percepção de que a humanidade pode caminhar aceleradamente para o esgotamento ou a inviabilização dos recursos indispensáveis à sua própria sobrevivência. E, assim sendo, que algo deveria ser feito para alterar as formas de ocupação do planeta estabelecidas pela cultura dominante. Esse tipo de constatação gerou o movimento de defesa do meio ambiente, que luta para diminuir o acelerado ritmo de destruição dos recursos naturais ainda preservados e busca alternativas que conciliem, na prática, a conservação da natureza com a qualidade de vida das populações que dependem dessa natureza.

· AS CRISES
O homem deveria se comportar não como dono do mundo, mas, percebendo-se como parte integrante da natureza, resgatar a noção de sacralidade (obra de um ser superior) da natureza, respeitada e celebrada por diversas culturas tradicionais antigas e contemporâneas.
O desnível econômico entre grupos sociais e entre os países, tanto sem termos de riqueza quanto do poder, criam vetores importantes de pressão sobre as políticas econômicas e ambientais em cada parte do mundo. E além do mais, o poderio dos grandes empreendimentos transnacionais tornam-se capazes de influir fortemente nas decisões ambientais que governos e comunidades deveriam tomar, especialmente quando envolvem o uso dos recursos naturais.
A interdependência mundial se dá também sob o ponto de vista ecológico: o que se faz num país, pode afetar amplas regiões ultrapassando várias fronteiras. É o que acontece, por exemplo, com as armas atômicas. A ética entre as nações e os povos deve passar então a incorporar novas exigências com base numa percepção de mundo em que as ações sejam consideradas em suas conseqüências mais amplas, tanto no espaço quanto no tempo. Não é só crime ou a guerra que ameaçam a vida, mas também a forma como se gera, de distribui e se usa a riqueza a forma como se trata a natureza.


· BIODIVERSIDADES

Bio = vida; diversidade = diferença


· RUMOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL

Na Conferência Internacional Rio/92, cidadãos representando instituições de mais de 170 países assinaram tratados nos quais se reconhece o papel central da educação para a "construção de um mundo socialmente justo e ecologicamente equilibrado", o que requer "responsabilidade individual e coletiva em nível local, nacional e planetário". E é isso o que se espera da Educação Ambiental no Brasil, que foi assumido como obrigação nacional pela Constituição promulgada em 1988.
Sendo assim a educação sozinha não é suficiente para mudar os rumos do planeta, mas certamente é condição necessária para tanto.
O Brasil, além de ser um dos maiores países do mundo em extensão, possui inúmeros recursos naturais de fundamental importância para todo o planeta: desde ecossistemas importantes como as suas florestas tropicais, o pantanal, ao mangues e restingas, até uma grande parte da água doce disponível para o consumo humano. Dono de um das maiores biodiversidades do mundo, tem ainda uma riqueza cultural vinda da interação entre os diversos grupos étnicos - americanos, africanos, europeus, asiáticos - o que traz contribuições para toda a comunidade.
Muitas vezes para se extrair um recurso natural, perde-se outro de maior valor, como tem sido o caso da formação de pastos em certas áreas da Amazônia. Com freqüência, também, a extração de um bem (minérios, por exemplo) traz lucros somente para um pequeno grupo de pessoas que muitas vezes nem são habitantes da região e levam a riqueza para longe e até para fora do país, deixando em seu lugar uma devastação que custará caro à saúde da população e aos cofres públicos.
Sendo assim é de suma importância educar os futuros cidadãos brasileiros para que, como empreendedores, venham a agir de modo responsável e com sensibilidade, conservar o ambiente sustentável no presente e para o futuro; como participantes do governo ou da sociedade civil, saibam suas obrigações, exigir e respeitar os direitos próprios e os de toda a comunidade, tanto local como internacional; e, como pessoas, encontrem acolhida para ampliar a qualidade de suas relações intrapessoais com o ambiente tanto físico quanto social.
Já a partir da década de 70, com crescimento dos movimentos ambientais, passou-se a adotar explicitamente a expressão "Educação Ambiental" para qualificar iniciativas de universidades, escolas, instituições governamentais e não-governamentais pelas quais se busca conscientizar setores da sociedade para as questões ambientais. Um importante passo foi dado com a Constituição de 1988, quando a Educação Ambiental se tornou exigência constitucional a ser garantida pelos governos federal, estaduais e municipais (art. 225, § 1º, VI).
Apesar de tudo a Educação Ambiental está longe de ser uma atividade tranqüilamente aceita e desenvolvida, porque ela implica mudanças profundas e nada inócuas. Ao contrário, quando o bem realizada, a Educação Ambiental leva a mudança de comportamento pessoal e a atitude e valores de cidadania que podem ter fortes conseqüências sociais.
O rádio, a TV e a imprensa, constituem a grande fonte de informações que a maioria das crianças e das famílias possui sobre o meio ambiente. Embora muitas vezes aborde o assunto de forma superficial ou equivocada, a mídia vem tratando de questões ambientais. Notícias de TV e de rádio, de jornais e revistas, propagandas ao meio ambiente têm sido cada vez mais freqüentes. Paralelamente, existe o discurso veiculado pelos mesmos meios de comunicação que propõe uma idéia de desenvolvimento que não raro conflita com a idéia de respeito ao meio ambiente. São propostos e estimulados valores insustentáveis de consumismo, desrespeito e tantos outros.

· A QUESTÃO AMBIENTAL E NOÇÕES BÁSICAS
O conhecimento e a relação entre o meio ambiente e ao movimento ambiental são bastante recentes. A própria base conceitual - definições como a de meio ambiente e de desenvolvimento sustentável, por exemplo - está em plena construção. De fato, não existe consenso sobre esses termos nem mesmo na comunidade científica; com mais razão, pode-se admitir que o mesmo ocorra fora dela.
Mas existe uma terminologia própria de elementos que formam as bases gerais do que se pode chamar de pensamento ecológico. Justamente pelo fato de estar em pleno processo de construção, a definição de muitos desses elementos é controvertida. Pois considerou-se importante a apresentação, como uma referência, de três noções centrais: a de Meio Ambiente, a de Sustentabilidade e a de Diverdidade.


· COMPONENTES BIÓTICOS E ABIÓTICOS DE UM ECOSSISTEMA

Componentes Bióticos são os seres vivos: animais (inclusive o Homem), vegetais, fungos, protozoários e bactérias, vem como as substâncias que os compõem ou são geradas por eles. Componentes abióticos são aqueles não-vivos: água, gases atmosféricos, sais minerais e todos os tipos de radiação. (Fonte Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, 1992).


· O TERMO MEIO AMBIENTE

Tem sido utilizado para indicar um "espaço" (com seus componentes bióticos e abióticos" e sua interação) em que um ser vive e se desenvolve, trocando energia e interagindo com ele, sendo transformado e transformando-o . No caso do ser humano, ao espaço físico e biológico soma-se o "espaço" sociocultural.Interagindo com os elementos do seu ambiente, a humanidade provoca tipos de modificações que se transformam com o passar da história. E, ao transformar o ambiente, o homem também muda sua própria visão a respeito da natureza e do meio em que vive.
Uma das estratégias para melhor se estudar o meio ambiente consiste em se identificarem elementos que constituem seus subsistemas ou partes deles. Assim se distinguem, por exemplo, os elementos naturais e construídos, urbanos e rurais ou físicos e sociais do meio ambiente.

· PROTEÇÃO
Significa o ato de proteger. É a dedicação pessoal àquela ou àquilo que dela precisa: é a defesa daquele ou daquilo que é ameaçado. O termo "proteção" tem sido utilizado por vários especialistas pra englobar os demais: preservação, conservação, recuperação, etc. Para eles, essas são formas de proteção. No Brasil há várias leis estabelecendo Áreas de Proteção Ambiental (APAs), que são espaços do território brasileiro, assim definidos e delimitados pelo poder público (União, Estado ou Município), cuja proteção se faz necessária para garantir o bem-estar das populações presentes e futuras e o meio ambiente ecologicamente equilibrado. Nas APAs declaras pelos Estados e Municípios poderão ser estabelecidos recursos naturais), levando-se em consideração a realidade local, em especial a situação das comunidades tradicionais que porventura habitem tais regiões. O uso dos recursos naturais nas APAs só pode se dar desde que "não comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção" (Constituição Federal, art.225,§ 1º, III).


· MATA CILIAR

Deriva da palavra cílios - que significa proteção.
É a faixa da vegetação nativa às margens de rios, lagos, nascentes e mananciais em geral, especialmente importante para garantir a qualidade e quantidade de águas, prevenindo assoreamento e contaminação (Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, 1992).


· PRESERVAÇÃO

Preservação é a ação de proteger contra a destruição e qualquer forma de dano ou degradação um ecossistema, uma área geográfica ou espécies animais e vegetais ameaçadas de extinção, adotando-se as medidas preventivas legalmente necessárias as medidas de vigilância adequadas. O Código Florestal estabelece áreas de preservação permanente, ao longo dos cursos d´água (margens de rios, lagos, nascentes e mananciais em geral), que ficam impedidas de qualquer uso. Essas áreas se destinam, em princípio, à vegetação ou mata ciliar especialmente importantes para garantir a qualidade das águas, prevenindo assoreamento e contaminação. A Constituição brasileira impõe, também, a apresentação do meio ambiente da Serra do Mar, da Floresta Amazônica, da Mata Atlântica, do Pantanal Mato-Grossense e da Zona Costeira (Constituição Federal, art. 225, § 4º).


· CONSERVAÇÃO
Conservação é a utilização racional de um recurso qualquer, de modo a se obter um rendimento considerado bom, garantindo-se entretanto sua renovação ou sua auto-sustentação. Analogamente, conservação ambiental quer dizer o uso apropriado do meio ambiente dentro dos limites capazes de manter sua qualidade e seu equilíbrio em níveis aceitáveis. Para a legislação brasileira "conservar" implica manejar, usar com cuidado, manter, enquanto "preservar" é mais restrito, significa não usar ou não permitir qualquer intervenção humana significativa.


· RECUPERAÇÃO

Recuperação, no vocabulário comum, é o ato de recobrar o pedido, de adquiri-lo novamente. O termo "recuperação ambiental" aplicado a uma área degradada pressupõe que nela se restabeleçam as características do ambiente original.
Nem sempre isso é variável às vezes pode não ser necessário, recomendando-se então uma reabilitação. Uma área degradada pode ser reabilitada (tornar-se novamente habilitada) para diversas funções, como a cobertura por vegetação nativa local ou destinada a novos usos, semelhantes ou deferentes do uso anterior à degradação ou reabilitação seja assumido pelo agente degradador.
Reparação é o ressarcimento, para efeito de conservar ou atentar dano causado a pessoa ou patrimônio, e, no caso de dano ambiental, além de provável pagamento de multa, pode envolver a obrigação de recuperar ou reabilitar a área degradada.


· DEGRADAÇÃO
Degradação ambiental consiste em alterações de desequilíbrio provocados no meio ambiente que prejudicam os seres vivos ou impedem os processos vitais ali existentes antes dessas alterações. Embora possa ser causada por efeito naturais, a forma de degradação que mais preocupa governos e sociedades é aquela causada pela ação antrópica, que pode e deve ser regulamentada.
A atividade humana gera impactos ambientais que repercutem nos meios físico-biológicos e socioeconômicos, afetando os recursos naturais e a saúde humana, podendo causar desequilíbrios ambientais no ar, nas águas, no solo e no meio sociocultural. Algumas das formas mais conhecidas de degradação ambiental são: a desestruturação física (erosão, no caso do solos), a poluição e a contaminação. Para a Fundação de Engenharia do Meio Ambiente, poluição é a "introdução, no meio, de elementos tais como organismos patogênicos, substâncias tóxicas ou radioativas, em concentração nocivas à saúde humana".
Fala-se também em contaminação "muitas vezes como sinônimo de poluição, porém quase sempre em relação direta sobre a saúde humana".
De fato, para a Organização Mundial de Saúde - órgão da ONU - "poluição ou contaminação ambiental é uma alteração do meio ambiente que pode afetar a saúde e a integridade dos seres vivos".


· SUSTENTABILIDADE

Desenvolvimento sustentável foi definido pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento como o "desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades".
Muitos consideram essa idéia ambígua, permitindo interpretações contraditórias. Porque desenvolvimento pode ser entendido como crescimento, e crescimento sustentável é uma contradição: nenhum elemento físico pode crescer indefinidamente. Na proposta apresentada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), emprega-se o termo "desenvolvimento sustentável" significando "melhorar a qualidade da vida humana dentro dos limites da capacidade de suporte dos ecossistemas".
Isso implica, entre outros requisitos, o uso sustentável dos recursos renováveis - ou seja, de forma qualitativamente adequada e em quantidades compatíveis com sua capacidade de renovação.


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